IRECÊ, DESBRAVAMENTO E COLONIZAÇÃO.


Fazenda Lagoa Grande
Fonte Inf: 01


       Início do desbravamento e colonização das terras onde hoje é o Município (região) de  Irecê.
  Os anais do Arquivo público da Bahia dão notícia que estas terras, situadas ao poente de Jacobina e até o Rio das Velhas, nas capitania das Minas Gerais, foram doadas pela coroa  de Portugal  ao Mestre de Campo Antonio de Brito Corrêa por serviços que prestou no desbravamento dos sertões na Capitania no ano de 1663. Esta é a mais longínqua referência histórica das terras desta região.
      Partindo daí, foi-nos possível colher uma das maiores cadeias sucessórias das terras do Brasil, documentos que constam dos registros públicos, como adiante se há de ver. Por ela foi-nos possível saber que Antonio de Brito Corrêa  foi sucedido pelo  filho Antonio Guedes de Brito e este pela filha Isabel Maria Guedes de Brito casada com Antonio da Silva Pimentel que foram por sua vez sucedidos pela filha Joana Guedes de Brito, casada com Manoel Saldanha da Gama Guedes de Brito e este sucedidos pelo filho João de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes de Brito - (Conde da Ponte) . No ano de 1807, precisamente no dia 21 de fevereiro, o Conde e a Condessa da Ponte fizeram desmembrar desta sesmaria  uma porção de terras que venderam a Antonio Teixeira Leite e Felipe Alves Ferreira, terras que denominaram Barra de São Rafael, através de uma justificativa ajuizada na Comarca de Santo  Amaro da Purificação em 30 de junho de 1807.
Fonte  Inf: 02

COMPRA DA FAZENDA


     João José da Silva Dourado, residente em Brotas de Macaúbas, Estado da Bahia, compra de Joaquim Alves Ferreira e sua mulher, Maria Ferreira, este descendente de Felipe Alves Ferreira, uma porção de terras denominada de  “LAGOA GRANDE”. Compra  esta ajuizada  na comarca  da Freguesia de Nossa Senhora  das Graças do Morro do Chapéu, datado de 4 de julho de 1840. (Documentos do Tabelionato da Comarca de Morro do Chapéu).
Limites : Vereda São Rafael ( hoje Romão Gramacho ou Rio Jacaré), Três Lagoas para o poente, atravessando as fazendas do Rio Verde para o Norte, na travessia  de D. Joana  para o Sul  dentro das caatingas compreendendo na mesma porção de terras uma Lagoa na Vereda no lugar denominado Ponta D’água, com as terras acima citadas defronte e para o Norte  no travessão dos Tapecurus, enfim façam  venda ao comprador João José da Silva Dourado.

OCUPAÇÃO


      Os descendentes de João José da Silva Dourado (neto de Mateus Nunes Dourado Português chegado no Brasil no início do século XVII , e fixado residência em Santo Antonio de Jacobina  onde casou-se com uma cabocla brasileira chamada Joana da Silva Lemos ), souberam que as terras de João José da Silva Dourado estavam sendo ocupadas por grileiros. Organizaram uma expedição de familiares para a colonização da fazenda “LAGOA GRANDE”.

COLONIZAÇÃO


      A primeira expedição foi de Martiniano Marques Dourado, Clemente Marques Dourado, Teotônio Marques Dourado(Pai de Tiozinho), Benigno Marques Dourado, João Dourado, Herculano Galvão Dourado, Manoel de Castro Dourado e outros, alcançaram o lugar denominado “MUNDO NOVO” no ano de 1872 ( posteriormente distrito de Morro do Chapéu com a denominação de AMÉRICA DOURADA ) em homenagem a família Dourado.
      A feracidade das novas terras ofereceram desde longo compensadoras safras de feijão, mamona, milho, algodão e outros cereais.
      A penetração nas caatingas motivou a criação de outros lugarejos: Teotônio Marques Dourado fundou  a América Dourada; Martiniano Marques Dourado e Clemente Marques Dourado fundaram o Rochedo( hoje Ibititá) ; João Dourado fundou o Canal ( hoje João Dourado em  homenagem ao seu fundador); Herculano Galvão Dourado fundou o Lapão; Manoel Augusto de Castro Dourado fundou o Belo Campo; Benigno Marques Dourado fundou o Canoão.


CARAÍBAS    (IRECÊ)


      Lá pelo meado de 1897, um mameluco (Índio) de nome Maméde, procedente de Rochedo, chega no aglomerado da “Boca D’água” e diz ter encontrado um local com  água à flor da terra. Isso fez com que alguns ali organizassem  uma pequena expedição sob a chefia de José Alves de Andrade(Zuza mor), Hermógens Santana, Sabino Bodoró, Deoclides  e Joaquim  de Sena, com o guia “Mamede” chegaram nesse  “OÁSIS”  incrustado numa faixa de terreno alagadiço e circundado por grandes árvores, tendo entre elas uma única “CARAÍBA” , que originou  o primitivo nome do arraial  que veio a se formar. Por coincidência, o pernoite foi embaixo de uma multi-secular “QUIXABEIRA” que ainda hoje  foi o marco da povoação de Caraíbas.  No dia seguinte, Zuza mor, e Sabino subiram até o lugar denominado de Pau Verde nas proximidades da fazenda  “Araquan”, afim de encontrar água potável.
    Com a periódica falta  D’água, os tanques iam secando, o que proporcionavam apreensões àquela gente. Um curioso perfurou  o solo nas imediações da  “Quixabeira” e encontrou água , fato que propiciou o reflorescimento do arraial.
     Em 1898, vieram José Alves Moitinho Dourado, Aristides Rodrigues Moitinho, Geronso Rodrigues  Moitinho( irmão de Aristides) Adolfo Rodrigues Moitinho, Aurélio José  Marques, Melquíades  Moitinho(irmão de Aristides), Febrônio Barreto e outros. Colocaram  mãos para  a criação  da  hoje IRECÊ.
     O título de fundador de CARAÍBAS, coube ao Maj. Aristides Rodrigues Moitinho por ser  incansável lutador para a formação do distrito de Caraíbas, mais a cooperação  do Chefe  Político Cel. Teotônio Marques Dourado e com a ajuda do Cel. Terêncio Dourado, Chefe de polícia  da Bahia, conseguiram  o primeiro ato Governamental para Caraíbas, com o Decreto - Lei Estadual n º 380,de 5 de março de 1906, que cria o Distrito de Paz  e subdelegacia  de Polícia de Morro do Chapéu, com a denominação de Caraíbas.
     Caraíbas em 1921, foi o palco de sangrentas lutas dos jagunços Mandiocas ( Cel. Horácio de Matos) e Mosquitos ( Cel. Militão Rodrigues Coelho).

     Posteriormente após  ter  descoberto  Irecê, José Alves de Andrade, mais conhecido pelo apelido  de  Zuza Mór,  casou-se  com Ana Joaquina  Castro Dourado, de cujo consórcio nasceram os seguintes filhos: José Alves de Andrade Filho, Adolfo Alves Dourado, Josias Alves Dourado, Jesuíno Alves Dourado, Idalina Alves Dourado e Ana Joaquina Alves Dourado.
     José Alves de Andrade,  ficou conhecido como um Homem honesto em todos os sentidos, da palavra ao crédito.


EMANCIPAÇÃO  DE  IRECÊ


      Teotônio Marques Dourado Filho(Tiozinho), tendo ganho a eleição para prefeito de Morro do Chapéu, dado a derrota do inconformado Benta Chefe  Político e possuidor de uma horda  de jagunços  Revolucionários , o Cel. Terêncio Dourado, deu posse a Teotônio  e conseguiu junto ao Governador Francisco Goes  Calmon , que o distrito de Caraíbas fosse elevado à categoria de Município, com o Topônimo de IRECÊ , pelo Decreto - Lei n º 1.896 , de 2 de março de 1926, cria o município de Irecê ( ex-Caraíbas), desmembrando  do Município de Morro do Chapéu, sob sua  jurisdição ficou o distrito de América Dourada, e com isso separando pela vereda  “Romão Gramacho “ou Rio Jacaré os Dourados  dos Bentas.
    Nas eleições de Intendente (Prefeito), foi eleito o Cel. Aristides Rodrigues Moitinho em 5 de setembro de 1926, e sua instalação foi em 3 de outubro de 1926. E o seu  primeiro Conselho  Municipal (Câmara  Municipal) foi : Renério Justiniano Dourado(Prefeito mais tarde), Ângelo Pereira Nunes, Emílio Moreira de Vasconcelos, Alberto Marques Dourado, Manoel Augusto de Castro Dourado, Joaquim Augusto de Castro Dourado, Justiniano de Castro Dourado e Abílio da Silva Dourado.

FUNDADOR DAS CARAÍBAS


     Aristides  Rodrigues Moitinho, nasceu nas Lavras  Diamantina (Lençóis), Estado da Bahia, no dia 26 de Julho de 1861, filho do Sr. Francisco Rodrigues Moitinho e de Dona Donatila Dourado Moitinho, transferindo-se desde criança com seus pais para América Dourada, Distrito de Morro do Chapéu, e casou em 1885 com  Dona Maria de Castro Dourado de cujo matrimônio nasceram os seguintes filhos : Adolfo Moitinho Dourado casado com Dona Amélia Dourado, Dona Laura Moitinho Dourado casada com Francisco Marques Dourado, Dona Maria  da Costa Dourado casada com  Justiniano Dourado e Dona Ana Amélia Dourado  casada com  Adolfo da  Silva Dourado.
       Eram seus irmãos : Melquíades Rodrigues Moitinho e Geronso Rodrigues Moitinho. O major  Aristides Rodrigues Moitinho era avô do Sr. Nobelino Moitinho Dourado, Ex-Prefeito de Irecê e do Major Francisco Dourado  Ex - Deputado Estadual.
      Era fazendeiro e representante  do  povoado do Achado no município de Irecê, onde residia até  o ano de 1934, quando saiu doente para Irecê, ali faleceu neste mesmo ano. com seus 63 anos de vida, sempre lutou  pelo desenvolvimento de Irecê.
      O Major Aristides Rodrigues Moitinho, foi o primeiro subdelegado de polícia da Caraíba em 1900. Nas eleições de 1926, foi eleito como primeiro Prefeito (Intendente naquela época ) . Tomou posse no cargo de Intendente no dia 3 de outubro de 1926, instalação do Município, exercendo até o dia 10 de janeiro de 1928, quando passou  o cargo para o Cel. Teotônio Marques Dourado Filho.
      Foi um dos maiores baluartes na criação da Sub-Delegacia de polícia, na criação do Distrito de Paz, na organização da Igreja Católica de Irecê. Foi na verdade, um dos elementos mais importantes na construção do progresso e do desenvolvimento de Irecê.
      Coube a ele a árdua tarefa de instalar o Município. Lutou com inúmeras dificuldades para organizar e arrumar a casa, tendo adquirido quase tudo o que era preciso. Livros, móveis, carimbos, máquinas, papéis, etc. Começou do nada, pois no novo Município, tudo era feito com dificuldades, mesmo assim, fez uma ótima administração. Conseguiu criar escolas, construir tanques e aguadas públicas, além  de outras obras. O município era muito pobre e carente de tudo.
     Na independência de Irecê, Aristides Rodrigues  Moitinho, destacou-se sobre tudo, pela serenidade de espírito, pela lisura dos atos e pela afabilidade de trato, como  homem  educado e acessível.  Foi na verdade um homem de encantadora postura  moral, de grande prestígio como Intendente  municipal de Irecê, prestou  relevantes serviços  à  comunidade nesta posição, sempre atuou  com grande senso democrático e na qual serviu com enorme acuidade, porém onde a sua ação  mais se  fazia sentir  era pela paz e pela concórdia para cuja firmeza não poupava  sacrifícios. Foi Major da Guarda Nacional.
      O falecimento de Aristides Rodrigues Moitinho, ocorreu na cidade de Irecê, aos 16 de  setembro de 1934, depois de prolongada moléstia, perdendo assim Irecê um dos maiores benfeitores.
      Despertou muito a atenção, a maneira como se despediu de todos os seus amigos, parentes e empregados, ao morrer. Aconselhando com frases de se admirar pelo seu fundamento, perdoando dívidas, fazendo dádivas, morrendo em plena lucidez de espírito. E foi assim, com o pensamento voltado a DEUS, aconselhando o bem, que se findou uma vida preciosa de cidadão.
      Logo anunciada a sua morte, a Prefeitura Municipal de Irecê, hasteou o Pavilhão Nacional em funeral, e o comércio cerrou suas portas, em sinal de pesar. Seu sepultamento, foi realizado no dia seguinte no Cemitério Municipal de Irecê, sendo com grande acompanhamento, junto ao túmulo do saudoso extinto, falaram os senhores : Osvaldo Dourado, prof. Bernardo Rodrigues Costa e o Cel. Teotônio M. Dourado Filho.


ADMINISTRADORES



01   Major Aristides  Rodrigues Moitinho Intendente = 1927/1931
02   Teotônio  Marques Dourado Filho Sub-prefeito = 1931/1933 
03   Faustiniano  Lopes Ribeiro                             Sub-prefeito         =  1934/1935
04   Antonio Bastos de Miranda                           Prefeito/Eleito = 1935/1937
05   Antonio Castro Dourado            Prefeito/Eleito = 1937/1938
06   Antonio Castro  Dourado                             Prefeito/Nomeado = 1938/1939
07   Renério Justiniano Dourado                           Prefeito/Nomeado = 1939/1947
08   Dr.Mário Dourado Sobrinho                          Prefeito/Eleito       = 1947/1951
09   Edivaldo Santos Lopes                                   Prefeito/Eleito      = 1951/1955
10   Deraldo da Silva Dourado                              Prefeito/Eleito      = 1955/1959
11   Antonio Cambuí Primo                                  Prefeito/Eleito      = 1959/1963
12   Edivaldo Santos Lopes                                  Prefeito/Eleito     = 1963/1967
13   Nobelino Moitinho Dourado                            Prefeito/Eleito     = 1967/1971
14   Edivaldo Santos Lopes                                  Prefeito/Eleito     = 1971/1973
15   Ineny Nunes Dourado             Prefeito/Eleito     = 1973/1977
16  Joacy Nunes Dourado                                      Prefeito/Eleito     = 1977/1983
17  Hildebrando  Seixas de Souza Filho (Doinha)    Prefeito/Eleito      = 1983/1988
18  Luiz  Sobral                         Prefeito/Eleito      = 1988/1992
19  Henrique Sobral                                           Prefeito/Eleito     = 1992/1996
20  Beto Lélis                                                         Prefeito/Eleito     = 1996/2000
21- Beto Lélis Prefeito/Eleito     = 2000/2004
22-Joacy  Nunes Dourado Prefeito/Eleito     = 2004-2008
23- Zé das Virgens Prefeito/Eleito     = 2009-2012


IGREJA CATÓLICA


   Foi Aristides Rodrigues Moitinho que fez a campanha para a sua construção, com rifas, quermesses, etc. Desde a primeira Missa que era celebrada na residência de Tertuliano Cambuí e oficiada pelo padre “Chicão”, da Paróquia de Barra de São Francisco, vinha de Xique-Xique. A doação da Imagem de São Domingos e o sino foram feita por Tertuliano Cambuí. Assim foi construída a primeira Igreja Católica de Irecê. Coube também a ele a tarefa de instalar o Município e lutou muito para organizar a casa, tudo era feito com dificuldades, mesmo assim fez uma ótima administração.

ARADO DE BOI


      O primeiro a usar a mecanização da lavoura por tração animal, foi Alípio Nunes Dourado, comprando um cultivador de tração animal, em Aracaju estado de Sergipe, no ano de 1933 e transportado por via férrea até Santo Antonio de Jacobina, e daí em lombo de burro até a fazenda Conquista (hoje Município de João Dourado). Aí se deu o marco Histórico da agricultura de Irecê.


TOPÔNIMO
(Nome próprio do lugar)


    Estando de passagem pela região, o Tupinólogo Teodoro Sampaio propôs para um novo município no sertão de Santo Antonio de Jacobina, de referência a Vereda Romão Gramacho ou Rio Jacaré, afluente do Rio São Francisco, que banha aquele município, o nome usado de uma mulher no Dicionário “O Tupy na Geografia Nacional”, IRECÊ, corr. Y-RECÊ (feminino), pela água (à tona d’água) à mercê da corrente. Teodoro  Sampaio - seção gráfica  da Escola  de Aprendizes Artífices - 3ª edição - 1928 - página 228 - Salvador Bahia.


DISTRITOS


    Um ano após a emancipação deste município, foi elevado a Distrito o povoado de Rochedo(Ibititá),pelo decreto - Lei Estadual  n º 1875 de 4 de julho de 1927, por ato do Governador Francisco Marques de Goes Calmon. Ficando o município com três Distritos: Irecê (sede), América Dourada e Rochedo.


MUNICÍPIO   “SUPRESSO”
(Anulado/cassado)


     Pelo Decreto - Lei Estadual  n º 7479  de 23 de junho de 1931, retificado  pelo Decreto - Lei Estadual n º 7479 de 8 de junho de 1931, por ato do Governador Gal. Raimundo Barbosa, o Município de Irecê foi “supresso” (anulado/cassado) e anexado ao Município de Morro do Chapéu, sendo criado pelo último deles uma Subprefeitura em Irecê.


MUNICÍPIO RESTAURADO


     Dois anos após os Decretos acima citados, foi o Município de Irecê restaurado pelo Governador Juracy Montenegro  Magalhães, pelo Decreto - Lei n º 8452 de 31 de maio de 1933, sendo reinstalado no dia 29 de maio do mesmo ano ( instalação foi a 3 de outubro de 1926).

POVOADOS  ANEXADOS

No governo do Interventor Gal. Renato Onofre de Pinto Aleixo, o Prefeito Renério Justiniano de Dourado, anexou ao Município de  Irecê  os Povoados de Lagoa de Canabrava e São Gabriel, desmembrando do Município de Xique - Xique.


REVOLTA  DE LAGOA DE CANABRAVA


     A Lagoa de Canabrava (Presidente Dutra), revoltou-se e não quis pagar seus tributos a Irecê, houve até derramamento de sangue, mas a luta foi ganha e voltaram a pertencer ao Município de Xique-Xique, ficando só São Gabriel a aumentar territorialmente o Município de Irecê.

NOVOS DISTRITOS


     Por ato do Governador Antonio Balbino de Carvalho Pinto Filho, foram criados os seguintes Distritos: Lapão  pelo Decreto - lei Estadual n º 16.279 de 20 de setembro de 1955, São Gabriel pelo Decreto - Lei Estadual n º 16.333 de 20 de setembro de 1955.

EMANCIPAÇÃO DE IBITITÁ


    Por ato do Governador Juracy Montenegro Magalhães, foi elevado à categoria de Município de o Distrito de Rochedo com o “Topônimo” (nome próprio do lugar) de IBITITÁ, pelo Decreto - Lei Estadual n º 1.518 de 17 de outubro de 1961, desmembrando do Município de Irecê.


EMANCIPAÇÃO DE AMÉRICA DOURADA


     Por  ato do Governador João Durval Carneiro, pelo Decreto - Lei n º 4.399 de 28 de fevereiro de 1985, foi elevado à categoria de Município o Distrito de América Dourada, desmembrando do Município de Irecê.


EMANCIPAÇÃO DE SÃO GABRIEL


     Por ato do Governador João Durval Carneiro , pelo Decreto - Lei Estadual n º 4.407 de 25 de fevereiro de 1985, foi elevado à categoria de Município de São Gabriel desmembrando do Município de Irecê.


EMANCIPAÇÃO DE CANAL


    Por ato do Governador João Durval Carneiro, pelo Decreto - Lei Estadual n º 4.441 de 01 de maio de 1985, foi elevado à categoria de Município o Povoado de Canal, com o “Topônimo “ de João Dourado, desmembrando do Município de Irecê.



   Por ato do Governador João Durval Carneiro, pelo Decreto - Lei Estadual n º 4.445 de 9 de maio de 1985, foi elevado à categoria de Município de Lapão, desmembrando do Município de Irecê.


GENEALOGIA DOS DOURADOS    clique aqui
fonte inf. 07

  

*  “UMA CIDADE SEM HISTÓRIA, É UM POVO SEM PASSADO”
  À memória de:
* Reynaldo Jônatas La Banca
  Pesquisador.



POPULAÇÃO DE IRECÊ   clique aqui


População do CENSO 2000: 57.436 habitantes
População de homens de Irecê: 32.142 habitantes
População de mulheres de Irecê: 34.262 habitantes
População urbana de Irecê: 61.248 habitantes
População rural de Irecê: 5.156 habitantes
O número de habitantes do censo 2010 em Irecê é de 66.404.

TERRITORIO DE IRECE  clique aqui


O Território Irecê- BA abrange uma área de 27.490,80 Km² e é composto por 20 municípios: América Dourada, Barra do Mendes, Barro Alto, Cafarnaum, Canarana, Ibipeba, Ibititá, Ipupiara, Irecê, Jussara, Lapão, Mulungu do Morro, Presidente Dutra, São Gabriel, Uibaí, Central, Gentio do Ouro, Itaguaçu da Bahia, João Dourado e Xique-Xique.
A população total do território é de 403.070 habitantes, dos quais 155.392 vivem na área rural, o que corresponde a 38,55% do total. Possui 41.011 agricultores familiares, 1.532 famílias assentadas e 26 comunidades quilombolas. Seu IDH médio é 0,61.
No território foram previstas para o ano de 2010 um total de 66 Ações com a atuação de 11 ministérios que integram o Programa Territórios da Cidadania, com valor previsto de R$ 235.858.929,46. Até 31 de Dezembro de 2010, este Portal recebeu informações sobre a execução de 63 ações. Para estas ações informadas o valor previsto para este território é de 235.450.440,38. Até esta data já foram executados R$ 159.877.795,26. Clique sobre o botão abaixo para abrir um relatório completo das ações neste território ou acesse os detalhes de cada ação na lista abaixo.



Hino de Irecê


Irecê dos meus amores 
Terra boa do sertão
Irecê dos meus encantos
Te consagro esta canção
O teu céu estrelejado
Tem crepúsculo encantador
Aquarela cinzelada
Pela mão do criador
Terra de belas morenas
Bronzeadas pelo sol
Parecem flores silvestres
Embelezando o arrebol
Tuas terras dilaceradas
Pelo arado bem feitor
São orgulho e a esperança
Desse povo trabalhdor
Os verdes das tuas roças
Lindos flocos de algodão
Lembram garças revoando
Os campos do meu sertão
Campos verdes florejantes
Céu azul da cor de anil
Luar branco, sedutor
És emblema do meu Brasil.


OUTROS DADOS


Irecê tem ao todo 19.483 domicilios ocupados e contamos com o crescimento populacional de 15,61% na última década, somando ao todo uma população de 66.404 pessoas, sendo 32.142 homens e 34.262 mulheres.
Em Irecê são 0,94 homens para cada mulher e 1,07 mulheres para cada homem.
Contando também com uma população rural de 5.156 pessoas e população urbana de 61.248 pessoas.
Domícilios ocupados no Irecê: 19.483
Crescimento populacional no Irecê: 15,61% (10 anos)
População do Irecê: 66.404
População masculina do Irecê: 32.142 homens no Irecê
População feminina do Irecê: 34.262 mulheres no Irecê
Em Irecê temos 0,94 homens para cada mulher
Ainda temos e 1,07 mulheres para cada homem
Temos a população urbana de 61.248 pessoas
Temos também a população rural de 5.156 pessoas



Saiba quem é Gustavo Dourado.      clique aqui


                                                 Gustavo Dourado
                                                           Gustavo Dourado

Professor, poeta, cordelista, ensaísta, articulista, escritor, jornalista, pesquisador. Autor de 12 livros. Premiado na Áustria e recomendado pelo World Poetry Day e World Portal Libraries, ambos da Unesco. Dourado foi objeto de tese de mestrado na Universidade Federal de Ouro Preto e de doutorado na Sorbonne e na Universidade Federal da Paraíba. Sua obra(principalmente o Cordel) foi discutida em várias universidades do Brasil e do exterior: Sorbonne(Silvie Raynal), Manz(Wolf Lustig), UnB(Michelle Sampaio), entre outras. Faz parte do Grupo da Memória da Educação do DF(UnB/SEEDF). Organizou o livro 40 anos de Educação no Distrito Federal, com ênfase na experiência do educador Anísio Teixeira. O seu site www.gustavodourado.com.br , o blogue http://cordel.zip.net a antologia poéticawww.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm além de serem recomendados pela Unesco, aparecem com destaque no PageRank de páginas literárias do Google, Yahoo, MSN, Dmoz, Alexa e dos principais diretórios de busca do mundo.

Foi entrevistado e/ou recitou poema/cordel na TV Globo (Jornal da Globo, DF TV), Globo News(J.10), SBT, Record, Band, CBN, Radiobrás/Nacional FM/TV, TV/Rádio Senado, TV Câmara , TV Brasília, TV UnB, Gazeta(SP). Foi entrevistado e/ou publicou texto/poema/cordel no Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, Correio Braziliense, Jornal de Brasília, Jornal da Comunidade, Revista Excelência, Bric-a-Brac, JBN, Se7e, Cronópios, Yage, Xicoatl, entre outros. Faz parte de várias antologias poéticas. Participa de centenas de portais e sites na Internet. É verbete na Enciclopédia da Literatura Brasileira. Criou o portal Usina de Letras(1999), onde publicou gratuitamente milhares de autores do Brasil e de outros países. Foi presidente e é presidente emérito e conselheiro do Sindicato dos Escritores do DF. Presidente da Academia de Letras e Música do Brasil - Almub(2000/02). Presidente-Fundador da UBE-DF e representante da UBE-São Paulo. Membro efetivo da Academia de Letras do Distrito Federal, Academia Brasileira de Literatura, ATL, ALIPOL, AVSPE, ALI, ATDF e do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. É pós-graduado em Educação, arte-educação, teatro, literatura e cultura popular, linguagens artísticas e gestão pública(ONU). Membro da Academia Internacional de Lutèce-Paris e da Academia Internacional de Cultura. 

Foi assessor de literatura do GDF(1995/1998), período em que coordenou o Fórum Permanente dos Escritores, Festival de Cinema, Poesia nos ônibus, Encontro com a Palavra, Classe Arte e organizou centenas de eventos culturais, recitais poéticos e lançamentos de livros em teatros, escolas, bibliotecas, cafés, bienais e feiras de livro. Criador da Estante do Escritor Brasiliense. 

Foi produtor cultural de bares, cafés e restaurantes, como o Café Belas Artes e a Livraria Presença, onde promoveu com Ivan da Silva, o célebre Almoço com o Escritor. Participou com autor, das Bienais do Rio e de São Paulo e de encontros na Bahia, Paraná, DF, Minas e Goiás, coordenando por 4 anos consecutivos(1995/1998) o Real Expresso da Cultura, com a participação de dezenas de autores. Participou de centenas de palestras, recitais, encontros, debates, seminários e fóruns de literatura em escolas, universidades e faculdades. Seu trabalho literário foi elogiado por Antônio Houaiss, Drummond, Ferreira Gullar, Rachel de Queirós, Affonso Romano de Sant´Anna, Moacyr Scliar, João Antônio, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Darcy Ribeiro, Jorge Amado, João Carlos Teixeira Gomes, entre outros importantes nomes da literatura brasileira. Escreveu o Cordel do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, publicado no portal da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Cordel para Mário Quintana, de sua autoria foi publicado no portal do Governo do Rio Grande do Sul. É Cidadão Honorário de Brasília e de Taguatinga. 

Foi convidado pela Presidência da República do Brasil para escever um cordel para Ariano Suassuna(80 anos), que foi destacado na Intranet da PR/Palácio do Planalto, em 2007. 


BIOGRAFIA - A GARGANTA DA SERPENTE

É baiano mas vive em Brasília há 31 anos. Foi fundador e Diretor do Centro Acadêmico de Letras da UnB. É autor de onze livros, alguns premiados e com poemas traduzidos em cinco idiomas. É professor de Português, Literatura, Lingüística, Redação, Religião, Agrícultura e Folclore Brasileiro. Lecionou no Colégio Elefante Branco, na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, no Gama, Ceilândia, Taguatinga, LBA e no Hospital Sarah. Atuou como delegado e militante do Sindicato dos Professores, Senalba, Sindsep e Sindicato dos Escritores. Em Taguatinga dirigiu o CineClube Gritto, participou da Associação dos Moradores da QNG, Grupo de Jovens da QNG, do Grupo Caxadágua e da Associação de Arte e Cultura / FACULTA. É produtor cultural e de eventos e membro do Fórum Brasília. Faz parte de academias e entidades socioculturais. Presidente da Academia de Letras e Música do Brasil e membro do Instituto Histórico e Geográfico(DF) e da Academia Internacional de Lutèce, Paris, França. Pesquisador cinematográfico, fez a pesquisa biográfica e literária do filme "Castro Alves", de Silvio Tendler, prêmio Margarida de Prata da CNBB, em 1999. Assessor de Literatura e Gerente de Projetos da Fundação Cultural do Distrito Federal e Presidente do Sindicato dos Escritores do DF(1996/2004). Representante da União Brasileira de Escritores. Filiado à Associação de Imprensa de Brasília. Pós-graduado em Gestão (ONU), Literatura, Educação, Folclore, Cultura Popular, Linguagem Teatral e Linguagens Artísticas.Foi Conselheiro da Revista DF Letras, do Concurso de Redação da S/A Correio Braziliense / Fundação Assis Chateaubriand, prêmio Estadão de Cultura/jornal O Estado de São Paulo, Imprensa Nacional, entre outros. Autor de centenas de folhetos de Cordel, contos, crônicas, ensaios, romances e roteiros cinematográficos. No GDF criou /coordenou diversos projetos lítero-culturais. Participou ativamente da Feira do Livro de Brasília, Festivais de Cinema, Classe Arte,Temporadas Populares, Hora do Trabalhador, Almoço com o Escritor, Bienais Internacionais do Livro do Rio e de São Paulo. Improvisador, repentista, declamador. Participou de mais de 500 recitais poéticos e de diversas antologias, jornais e revistas no Brasil e no exterior. O seu livro Phalábora foi selecionado pela Comissão Editorial Letras da Bahia para ser divulgado no Projeto Brasil 500 Anos e foi objeto de estudo do Professor Ilton Cerqueira no Mestrado de História da Universidade Federal de Ouro Preto, em 1999. Em 2000 inaugurou com o reitor da Universidade de Brasília, Prof. Lauro Morhy, a Estante do Escritor Brasiliense, na Biblioteca Central da UnB, com a participação de mais de 200 autores.Estudioso da História e da Literatura da Bahia e de Brasília-DF. Descendente de família de escritores, dos quais se destacam Autran Dourado, Ângelo Dourado, Alzira Dourado e o cartógrafo português Fernão Vaz Dourado,entre outros. Concluiu pós-graduação em Gestão Pública na Escola de Governo do Distrito Federal em Convênio com a ONU. 



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Dados Pessoais
Nome: Hermenito Dourado
Profissão: Advogado, Professor e Juiz
Nascimento: 6 de junho de 1924, Irecê-BA
Filiação: Deraldo Justiniano Dourado e Maria Cota Dourado
Cônjuge: Matilde Masueiro
Filhos: Paulo, Maurício, Suzana, Cristina, Marcelo, Carlos Vitor.
Falecimento: 22 de agosto de 2004
:: Formação Educacional
Formou-se em Magistério pela Escola Normal no Colégio Americano, Itacira-BA, 1949, o Clássico no Colégio Estadual da Bahia-CENTRAL, Salvador-BA. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia - UFBA, 1954.
:: Atividade Profissional
Professor de Álgebra, Aritmética e Geometria no Colégio Americano, 1944-1945; professor de Direito Administrativo da Universidade de Brasília, 1964-1965 e do Centro de Ensino Unificado de Brasília-CEUB, Brasília-DF, 1969-1970; professor adjunto da Universidade de Brasília-UNB, 1979-2001; conferencista da Escola Superior de Administração Fazendária-ESAF, Escola Nacional de Administração Pública-ENAP e Instituto Nacional de Eventos INAE; procurador do Instituto dos Advogados de Prática Isolada-IAPI, Delegacia de Brasília, 1960-1964; assistente jurídico da Consultoria Geral da República, 1964; juiz do Tribunal de Justiça Desportiva de Brasília, 1968-1969; chefe da Assessoria Jurídica da Universidade de Brasília, 1970-1985; consultor jurídico do Banco Regional de Brasília S/A, 1976-1985; consultor da República, 1986-1989; juiz do Tribunal Regional Federal TRF 1ª Região e presidente, 1993; juiz do Tribunal Regional Eleitoral-TRE-DF; presidente do Sindicato dos Eletricitários da Bahia; membro de várias instituições: Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB-DF, Instituto dos Advogados de Brasília, do Conselho de Representantes da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Leste e Sul do País, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, 1952-1954, da Banca Examinadora de Concurso de Juiz de Direito-DF.
:: Mandato Eletivo
Suplente de deputado estadual pelo Partido Trabalhista Nacional-PTN, 1959-1963, assumiu por diversos períodos.
:: Filiação Partidária
PTN.
:: Atividade Parlamentar
Na Assembléia Legislativa, titular das Comissões: Constituição e Justiça (1959-1960), Economia e Transportes (1960); suplente da Comissão de Constituição e Justiça (1959).
:: Condecorações
Medalha do Pacificador - Ministério da Guerra 1966; Ordem do Mérito Aeronaútico - Grau Oficial, 1980; Grau Comendador, 1993; Ordem do Mérito de Brasília - Grande Oficial, 1993; Ordem do Mérito Militar - Grau Oficial, 1993; Comenda Juiz Classista - Associação Nacional dos Juízes Classistas, 1993.
:: Obras e Trabalhos
Meus Votos Vencidos, 2001; trabalhos jurídicos e pareceres publicados em periódicos especializados e no Diário Oficial da União.



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IRECÊ CONSTA NA ENCICLOPÉIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DESDE 1958.
VEJA.

Quando Dr. Isaias de Castro Dourado estudava no Rio de Janeiro, ele descobriu um livro  na Biblioteca daquela cidade que  consta a história de Irecê, e ele deu de presente para Manoel Augusto de Castro Dourado no dia de seu aniversário. E Dr. Ineny Nunes Dourado, presenteou o aniversariante com um prédio Escolar.


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Saiba tudo sobre sua cidade - Irecê-Ba
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Mirorós em Irecê-Ba

                                                         Imagens antigas de Irecê.

                                                                 Hino de Irecê









Coronelismo na Chapada Diamantina.

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Horácio de Matos - Coluna Prestes
      Coronel Horácio de Matos sentado






















Coronel Horácio de Mattos 


Bahia, final do século XIX e começo do XX. Havia uma clara distinção entre a vida no interior e a vida litorânea. No primeiro os grandes ermos pouco povoados, de cidades esparsas, marcava boa parte do território, no segundo a vida era plenamente integrada às lutas e realidade nacionais.
A Chapada tinha uma realidade diversa daquela que gerara Canudos. Em Caetité vivia-se no dizer de Teodoro Fernandes Sampaio, qual uma "Corte do Sertão" - com imprensa ativa, energia elétrica etc. Na extensão do São Francisco outras tantas culturas se formavam. Feira de Santana era como que um elo de união desses mundos diversos e a Capital.
A região da "Chapada" compreendia um vasto território no meio do estado, com antigas vilas como Rio de Contas e Brotas de Macaúbas. Foi num distrito desta última que nasceu "Horácio de Matos".
Aos 15 anos de idade já demonstra sua bravura: seu pai e os irmãos mais velhos tinham saído e a fazenda é invadida por uma patrulha da polícia baiana, doTenente Policarpo, que ameaça o garoto para que revele onde estavam os diamantes e os familiares. Horácio nega-se a falar.
Foi morar na então próspera cidade de Morro do Chapéu, onde recebe a proteção do coronel Dias Coelho, estabelecendo-se ali como comerciante. O coronel compra para o seu afilhado a cobiçada patente de tenente-coronel da Guarda Nacional, ganhando assim um verdadeiro título nobiliárquico com que a República Velha dotava seus destaques.
Em 1912 Horácio é chamado pelo velho coronel Clementino Matos, seu tio, que encontrava-se moribundo. Ali, num ritual familiar, recebe o comando da família, jurando, cumprir o código de honra familiar, que rezava:
  • Não humilhar ninguém, mas também nunca se deixar humilhar, por quem quer que seja;
  • Não roubar jamais, sejam quais forem as circunstâncias, nem permitir que alguém roube e fique impune;
  • Ser leal com os parentes e amigos, protegendo-os sempre;
  • Ser leal com os inimigos, respeitando-os em tempos de paz e enfrentando-os em tempos de guerra;
  • Não provocar, nem agredir, mas se for ofendido, colocar a honra acima de tudo e reagir, porque de nada adianta viver sem a dignidade.
O início de sua carreira foi pacífico: Horácio fez uma peregrinação pelas cidades e fazendas com a intenção de propor trégua nas brigas políticas.
Entretanto, comunicado do assassinato de seu irmão Vítor por jagunços rivais, Horácio mobiliza suas influências para que os assassinos, abrigados no município de Campestre sob proteção do chefe local Manuel Fabrício, fossem julgados de acordo com a lei. Com a demora de meses para a resolução do caso, Horácio decide cercar a fazenda e vence o rival pela insistência (ele foge para um município vizinho e não retorna mais).
A vitória seguinte foi contra o coronel Militão Rodrigues Coelho, que vinha conquistando novas terras na região. Os grupos lutaram por cinco meses, resultando em 400 mortos e mais poder regional para Horácio.
A influência política em Lençóis foi obtida de forma bem menos violenta: Aureliano Sá, um pacifista, optou por retirar a família das disputas e ceder o comando ao coronel Horácio de Matos. O aumento de seu poder e das regiões sob seu domínio lhe renderam os títulos de Delegado Regional da Zona Centro-Oeste e Senador Estadual.
Em 1926, a pedido do governo federal, foi o responsável pela organização do Batalhão Patriótico das Lavras Diamantina, um exército de jagunços e militares que combateu a Coluna Prestes durante sua tumultuada passagem pela Bahia. A Coluna foi expulsa do estado e perseguida até a Bolívia, quando se dispersou e foi derrotada com ajuda do exército oficial.
Logo após a revolução de 1930, contra a qual chegou a mobilizar seus homens a pedido do governo em crise, Horácio de Matos é preso pelo tenente Hamilton Pompa e levado a Salvador. Não houve resistência, até porque todas as armas dos jagunços haviam sido apreendidas por ordem oficial e a região já estava tomada por soldados. Com uma pressão das forças conservadoras, o coronel acaba conseguindo a liberdade condicional, mas é proibido de sair da capital. Irado com o fato, o tenente Hamilton segue para o Palácio do Rio Branco, disposto a matar o responsável pela liberdade do coronel, e acaba assassinado por um guarda. O clima de rivalidade política resulta na morte de Horácio de Matos, dois dias depois, enquanto passeava com sua filha mais velha, Horacina.



Coronel Militão Rodrigues Coelho
Coronel Militão Coelho

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Quem foi Dias Coelho       clique aqui


Capitão Carlos Lamarca símbolo da resistência    

Carlos Lamarca
         Capitão Carlos Lamarca

Capitão Carlos Lamarca morto
Corpos de Lamarca e Zequinha


Carlos Lamarca nasceu no Rio de Janeiro em 23 de outubro de 1937 e morreu em Pintada (BA), em 17 de setembro de 1971. Sua história começa no exército brasileiro. Filho de sapateiro e dona de casa, com 18 anos Lamarca ingressa na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre, indo depois para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ). Destacou-se como um excelente atirador, sendo o melhor do 4º Regimento de Infantaria, em Osasco (SP), chegando a representar o II Exército em torneio de tiro.
Alguns anos depois, integrando o Batalhão Suez, nas Forças de Paz da ONU, foi enviado à Faixa de Gaza, na Palestina. Lá testemunho muita pobreza e injustiça, chegando a afirmar que se fosse para escolher um lado para lutar, lutaria ao lado árabe. Além de ter contato com as primeiras ideias socialistas.
Um ano depois da sua volta ao Brasil ocorreu o golpe militar de 1964. Em 1967 é promovido ao posto de Capitão do Exército, e encontra um velho companheiro, sergento Darcy Rodrigues com quem aprende sobre obras de Lenin e Mao Zedong. Tempos depois, Lamarca começa a planejar sua saída do Exército e ingressão na Guerrilha, mostrando descontentamento em relação à forma repressiva com que as Forças Armadas agiam e com a forma de governo ditatorial militar.
Lamarca e outros colegas de farda planejavam desertar, levando cerca de 560 fuzis, dois obuses e muita munição. A intenção era juntar-se à VPR (Vanguarda Popular Revolucionária, guerrilha armada) para fazer ataques às bases do exército e criar um clima de guerra civil. O plano foi frustrado e na fuga com sargento Darcy, cabo José Mariani e o soldado Roberto Zanirato, ele deixou o 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna levando apenas 63 fuzis FAL, três metralhadoras e pouca munição. Deixava, assim, as Forças Armadas.
Antes desse acontecimento Lamarca conseguiu mandar sua mulher e seus filhos para Cuba, com a ajuda de Carlos Marighella, líder do PC do B.

Guerrilha

A vida na clandestinidade não foi nada fácil para Lamarca. Tendo que viver em “aparelhos” (esconderijos usados por guerrilheiros) em São Paulo, sua rotina limita-se a muitos estudos e planejamentos. Como guerrilheiro, sua primeira investida foi em 9 de maio de 1969 quando participou de assalto a dois bancos no centro de São Paulo. Nesse episódio, ele alvejou com dois tiros certeiros (tipo coisa de cinema mesmo) um guarda civil, salvando seu companheiro Darcy. Antes desse acontecido, Lamarca conheceu Iara Iavelberg, uma militante de outro grupo, o MR-8, e com ela começa um romance. Iara era filha de família rica paulistana que se converteu ao socialismo.
Com a VPR desarticulada após a prisão de alguns dos seus integrantes, esta une-se ao Comando de Libertação Nacional (COLINA) e ao grupo gaúcho União Operária formando a VAR-Palmares.



Guerra dos Canudos

                                   Canudos-Ba-1897
                                 Seguidores de Antonio Conselheiro





A chamada Guerra de Canudos, revolução de Canudos ou insurreição de Canudos, foi o confronto entre um movimento popular de fundo sócio-religioso e o Exército da República, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no Brasil.

O episódio foi fruto de uma série de fatores como a grave crise econômica e social em que encontrava a região à época, historicamente caracterizada pela presença de latifúndios improdutivos, situação essa agravada pela ocorrência de secas cíclicas, de desemprego crônico; pela crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.

Inicialmente, em Canudos, os sertanejos não contestavam o regime republicano recém-adotado no país; houve apenas mobilizações esporádicas contra a municipalização da cobrança de impostos. A imprensa, o clero e os latifundiários da região incomodaram-se com uma nova cidade independente e com a constante migração de pessoas e valores para aquele novo local passaram a acusá-los disso, ganhando, desse modo, o apoio da opinião pública do país para justificar a guerra movida contra o arraial de Canudos e os seus habitantes.

Aos poucos, construiu-se em torno de Antônio Conselheiro e seus adeptos uma imagem equivocada de que todos eram "perigosos monarquistas" a serviço de potências estrangeiras, querendo restaurar no país o regime imperial, devido, entre outros ao fato de o Exército Brasileiro sair derrotado em três expedições, incluindo uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César, também conhecido como "corta-cabeças" pela fama de ter mandado executar mais de cem pessoas na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina, expedição que contou com mais de mil homens. A derrota das tropas do Exército nas primeiras expedições contra o povoado apavorou o país, e deu legitimidade para a perpetração deste massacre que culminou com a morte de mais de seis mil sertanejos. Todas as casas foram queimadas e destruídas.

Canudos era uma pequena aldeia que surgiu durante o século 18 às margens do rio Vaza-Barris. Com a chegada de Antônio Conselheiro em 1893 passou a crescer vertiginosamente, em poucos anos chegando a contar por volta de 25 000 habitantes. Antônio Conselheiro rebatizou o local de Belo Monte, apesar de estar situado num vale, entre colinas.

A situação na região, à época, era muito precária devido às secas, à fome, à pobreza e à violência social. Esse quadro, somado à elevada religiosidade dos sertanejos, deflagrou uma série de distúrbios sociais, os quais, diante da incapacidade dos poderes constituídos em debelá-los, conduziram a um conflito de maiores proporções.


A figura de Antônio Conselheiro


Antonio Conselheiro e seus seguidores
                                                       Antonio Conselheiro morto 

Antônio Vicente Mendes Maciel, apelidado de "Antônio Conselheiro", nascido em Quixeramobim (CE) a 13 de março de 1830, de tradicional família que vivia nos sertões entre Quixeramobim e Boa Viagem, fora comerciante, professor e advogado prático nos sertões de Ipu e Sobral. Após a sua esposa tê-lo abandonado em favor de um sargento da força pública, passou a vagar pelos sertões em uma andança de vinte e cinco anos. Chegou a Canudos em 1893, tornando-se líder do arraial e atraindo milhares de pessoas. Acreditava que era um enviado de Deus para acabar com as diferenças sociais e com a cobrança de tributos. Acreditava ainda que a "República" (então recém-implantada no país) era a materialização do reino do "Anti-Cristo" na Terra, uma vez que o governo laico seria uma profanação da autoridade da Igreja Católica para legitimar os governantes. A cobrança de impostos efetuada de forma violenta, a celebração do casamento civil, a separação entre Igreja e Estado eram provas cabais da proximidade do "fim do mundo".

A escravidão havia acabado poucos anos antes no país, e pelas estradas e sertões, grupos de ex-escravos vagavam, excluídos do acesso à terra e com reduzidas oportunidades de trabalho. Assim como os caboclos sertanejos, essa gente paupérrima agrupou-se em torno do discurso do peregrino "Bom Jesus" (outro apelido de Conselheiro), que sobrevivia de esmolas, e viajava pelo Sertão.
O governo da República, recém-instalado, queria dinheiro para materializar seus planos, e só se fazia presente pela cobrança de impostos. Para Conselheiro e para a maioria das pessoas que viviam nesta área, o mundo estava próximo do fim. Com estas idéias em mente, Conselheiro reunia em torno de si um grande número de seguidores que acreditavam que ele realmente poderia libertá-los da situação de extrema pobreza ou garantir-lhes a salvação eterna na outra vida.



Indústria da Seca


Indústria da seca” é um termo utilizado para designar a estratégia de alguns políticos que aproveitam a tragédia da seca na região nordeste do Brasil para ganho próprio. O termo começou a ser usado na década de 60 por Antônio Callado que já denunciava no Correio da Manhã os problemas da região do semi-árido brasileiro.
Os problemas sociais no chamado “polígono da seca” são bastante conhecidos por todos, mas nem todos sabem que não precisava ser assim. A seca em si, não é o problema. Países como EUA que cultivam áreas imensas e com sucesso em regiões como a Califórnia, onde chove sete vezes menos do que no polígono da seca, e Israel, que consegue manter um nível de vida razoável em um deserto (Negev), são provas disso.
A seca é um fenômeno natural periódico que pode ser contornada com o monitoramento do regime de chuvas, implantação de técnicas próprias para regiões com escassez hídrica ou projetos de irrigação e açudes, além de outras alternativas. Estes últimos, porém, são frequentemente utilizados para encobrir desvios de verbas em projetos superfaturados ou em troca de favores políticos.
Os “industriais da seca” se utilizam da calamidade para conseguir mais verbas, incentivos fiscais, concessões de crédito e perdão de dívidas valendo-se da propaganda de que o povo está morrendo de fome. Enquanto isso, o pouco dos recursos que realmente são empregados na construção de açudes e projetos de irrigação, torna-se inútil quando estes são construídos em propriedades privadas de grandes latifundiários que os usam para fortalecer seu poder ou então, quando por falta de planejamento adequado, se tornam imensas obras ineficazes.
O Açude do Cedro, em Quixadá (CE), é frequentemente utilizado como referência para descrever este tipo de empreendimento da indústria da seca: com capacidade para aproximadamente 126 milhões de m³, foi construído em pedra talhada à mão, com esculturas e barras de ferro importadas, mas que chegou a secar completamente no período de 1930 a 1932, durante um dos piores períodos de seca enfrentados pela região, ou seja, quando mais se precisava dele. Mais uma obra faraônica, na longa história de projetos faraônicos da indústria da seca. É claro que hoje a obra constitui um patrimônio histórico e cultural importante, mas é como distribuir talheres de prata para quem não tem o que comer.
E a história se repete. A transposição do Rio São Francisco é um dos pontos principais da campanha do governo atual e é uma questão mais que polêmica. De um lado estão aqueles que defendem que a obra é legítima e poderá acabar com a seca do nordeste (senão todo, pelo menos grande parte dele). E de outro aqueles que defendem que a obra é mais um fruto da indústria da seca e que além de não resolver o problema, ainda pode agravá-lo ao alterar todo regime hídrico da região e pôr em risco um dos patrimônios naturais mais importantes do Brasil colocando em risco a sobrevivência do próprio rio.
Assim a situação segue. Perpetuada antes pelo fenômeno político da chamada “indústria da seca” do que pelo fenômeno natural da “seca” em si, a tragédia que atinge grande parte da região nordeste brasileira e parte da região norte de Minas Gerais costuma ser utilizada (e supervalorizada) para justificar a fome e o subdesenvolvimento econômico e social da região que são, nada mais, do que o reflexo de uma administração duvidosa que faz fracassar qualquer tentativa de reverter este quadro com o intuito de fazer perdurar o modelo de poder vigente.






O cangaço


O Bando de Lampião
Lampião e Maria Bonita
Lampião e seu bando

Maria Bonita


A prática do cangaço marcou um interessante momento da História do Brasil. Grupos de homens armados vagueavam pelos sertões, principalmente do Nordeste, buscando meios de sobrevivência, e o enfrentamento dos poderosos com o uso de suas armas e de sua coragem. Porém, seria somente dessa maneira que poderíamos compreender a prática do cangaço?

O próprio termo “cangaceiro”, em suas origens, faz referência ao termo “canga”, peça de madeira usualmente colocada nos muares e animas de transporte. Assim, a palavra cangaceiro, originalmente, faz uma alusão aos utensílios que os cangaceiros carregavam em seu corpo. Além disso, essa idéia heróica sobre os cangaceiros é equivocada. Os primeiros cangaceiros de que se tem relato eram, de fato, “prestadores de serviço” aos chefes políticos locais. Perseguiam e matavam os inimigos políticos dos coronéis de uma região.

Somente nos primeiros anos da República Oligárquica é que os primeiros grupos independentes de cangaceiros surgiram. Através de práticas criminosas esses grupos constituíram um grupo social à margem das estruturas de poder e das relações sociais vigentes durante o tempo das oligarquias. De acordo com seus interesses, os cangaceiros estabeleciam alianças com aqueles que oferecessem vantagens econômicas ou proteção às suas atividades.

Dessa maneira, não poderíamos dizer que o cangaço foi um movimento essencialmente comprometido com uma determinada classe social. Um dos primeiros cangaceiros que se tem registro é Antônio Silvino. Buscando vingar a morte do pai, ele formou um bando que lutava contra a polícia, promovia assaltos e armava “tocaias” contra autoridades governamentais. Anos mais tarde, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, formou um dos maiores e mais duradouros grupos de cangaço existentes na região Nordeste.

Sua família, de origem pernambucana, já se envolvia com a prática do cangaço. Fazendo parte, inicialmente, do bando de Sinhô Pereira, Lampião aprimorou sua habilidade em matar inimigos e realizar assaltos. Seu apelido foi criado devido a sua rapidez no gatilho e a luz que saia do cano de sua arma. Em 1922, ele passou a liderar o grupo de Sinhô Pereira.

Vários documentos demonstram as formas de ação do grupo de Lampião. Em algumas cartas de próprio punho, Lampião exigia o pagamento de quantias em dinheiro em troca da não-invasão às cidades. Estendendo sua ação e número de integrantes, o bando de Lampião chegou a atuar contra a Coluna Prestes, em 1926. Só no ano de 1938 que Lampião foi subjugado pelas forças militares do Estado. Os principais líderes de seu bando foram decapitados e tiveram as cabeças expostas em diferentes cidades nordestinas.

A decadência do cangaço tem grande ligação com o estabelecimento do Estado Novo. A criação de órgãos repressores mais atuantes e a desarticulação da influência exercida pelos grupos oligárquicos remanescentes podem ser apontadas como as possíveis razões para o fim desse movimento. Por fim devemos ver no cangaço, a crise provocada pelas relações excludentes que figuraram a construção histórica do próprio Brasil.



A morte de Lampião e Maria Bonita.


A cova de Lampião
A cabeça dos cangaceiros

Madrugada de 28 de julho de 1938. O sol ainda não tinha nascido quando os estampidos ecoaram na Grota do Angico, na margem sergipana do Rio São Francisco. Depois de uma longa noite de tocaia, 48 soldados da polícia de Alagoas avançaram contra um bando de 35 cangaceiros. Apanhados de surpresa - muitos ainda dormiam -, os bandidos não tiveram chance. Combateram por apenas 15 minutos. Entre os onze mortos, o mais temido personagem que já cruzou os sertões do Nordeste: Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião. 
Era o fim da incrível história de um menino que nasceu no sertão pernambucano e se transformou no mais forte símbolo do cangaço. Alto - 1,79 metros -, pele queimada pelo inclemente sol sertanejo, cabelos crespos na altura dos ombros e braços fortes, Lampião era praticamente cego do olho direito e andava manquejando, por conta de um tiro que levou no pé direito. Destemido, comandava invasões a sítios, fazendas e até cidades.
Dinheiro, prataria, animais, jóias e quaisquer objetos de valor eram levados pelo bando
"Eles ficavam com o suficiente para manter o grupo por alguns dias e dividiam o restante com as famílias pobres do lugar", diz o historiador Anildomá Souza. Essa atitude, no entanto, não era puramente assistencialismo. Dessa forma, Lampião conquistava a simpatia e o apoio das comunidades e ainda conseguia aliados.
Os ataques do rei do cangaço - como Lampião ficou conhecido - às fazendas de cana-de-açúcar levaram produtores e governos estaduais a investir em grupos militares e paramilitares.
A situação chegou a tal ponto que, em agosto de 1930, o Governo da Bahia espalhou um cartaz oferecendo uma recompensa de 50 contos de réis para quem entregasse, "de qualquer modo, o famigerado bandido". "Seria algo como 200 mil reais hoje em dia", estima o historiador Frederico Pernambucano de Mello. Foam necessários oito anos de perseguições e confrontos pela caatinga até que Lampião e seu bando fossem mortos.
Mas as histórias e curiosidades sobre essa fascinante figura continuam vivas.
Uma delas faz referência ao respeito e zelo que Lampião tinha pelos mais velhos e pelos pobres. Conta-se que, certa noite, os cangaceiros nômades pararam para jantar e pernoitar num pequeno sítio - como geralmente faziam. Um dos homens do bando queria comer carne e a dona da casa, uma senhora de mais de 80 anos, tinha preparado um ensopado de galinha. O sujeito saiu e voltou com uma cabra morta nos braços. "Tá aqui. Matei essa cabra. Agora, a senhora pode cozinhar pra mim", disse. A velhinha, chorando, contou que só tinha aquela cabra e que era dela que tirava o leite dos três netos. Sem tirar os olhos do prato, Lampião ordenou um de seu bando: "Pague a cabra da mulher". O outro, contrariado, jogou algumas moedas na mesa: "Isso pra mim é esmola". Ao que Lampião retrucou: "Agora pague a cabra, sujeito". "Mas, Lampião, eu já paguei". "Não. Aquilo, como você disse, era uma esmola. Agora, pague." 
Criado com mais sete irmãos - três mulheres e quatro homens -, Lampião sabia ler e escrever, tocava sanfona, fazia poesias, usava perfume francês, costurava e era habilidoso com o couro. "Era ele quem fazia os próprios chapéus e alpercatas", conta Anildomá Souza. Enfeitar roupas, chapéus e até armas com espelhos, moedas de ouro, estrelas e medalhas foi invenção de Lampião. O uso de anéis, luvas e perneiras também. Armas, cantis e acessórios eram transpassados pelo pescoço. Daí o nome cangaço, que vem de canga, peça de madeira utilizada para prender o boi ao carro.
NASCE UM BANDIDO Apesar de ser o maior ícone do Cangaço, Lampião não foi o criador do movimento. Os relatos mais antigos de cangaceiros remontam a meados do século 18, quando José Gomes, conhecido como Cabeleira, aterrorizava os povoados do sertão. Lampião só nasceria quase 130 anos mais tarde, em 1898, no sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada, Pernambuco. Após o assassinato do pai, em 1920, ele e mais dois irmãos resolveram entrar para o bando do cangaceiro Sinhô Pereira.
Duramente perseguido pela polícia, Pereira decidiu sair do Nordeste e deixou o jovem Virgulino Ferreira, então com 24 anos, no comando do grupo. Era o início do lendário Lampião.
Os dezoito anos no cangaço forjaram um homem de personalidade forte 
e temido entre todos, mas também trouxeram riqueza a Lampião. No momento da sua morte, levava consigo 5 quilos de ouro e uma quantia em dinheiro equivalente a 600 mil reais. "Apenas no chapéu, ele ostentava 70 peças de ouro puro", ressalta Frederico de Mello. Foi também graças ao cangaço que conheceu seu grande amor: Maria Bonita.
Em 1927, após uma malograda tentativa de invadir a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Lampião e seu bando fugiram para a região que fica entre os estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Bahia. O objetivo era usar, a favor do grupo, a legislação da época, que proibia a polícia de um estado de agir além de suas fronteiras. Assim, Lampião circulava pelos quatro estados, de acordo com a aproximação das forças policiais. 
Numa dessas fugas, foi para o Ra-so da Catarina, na Bahia, região onde a caatinga é uma das mais secas e inóspitas do Brasil. Em suas andanças, chegou ao povoado de Santa Brígida, onde vivia Maria Bonita, a primeira mulher a fazer parte de um grupo de cangaceiros. A novidade abriu espaço para que outras mulheres fossem aceitas no bando e outros casais surgiram, como Corisco e Dadá e Zé Sereno e Sila. Mas nenhum tornou-se tão célebre quanto Lampião e Maria Bonita. Dessa união nasceu Expedita Ferreira, filha única do lendário casal.
Logo que nasceu, foi entregue pelo pai a um casal que já tinha onze filhos. Durante os cinco anos e nove meses que viveu até a morte dos pais, só foi visitada por Lampião e Maria Bonita três vezes. "Eu tinha muito medo das roupas e das armas", conta. "Mas meu pai era carinhoso e sempre me colocava sentada no colo pra conversar comigo", lembra dona Expedita, hoje com 70 anos e vivendo em Aracaju, capital de Sergipe, Estado onde seus pais foram mortos.
CABEÇAS NA ESCADA
Em julho de 1938, após meses perambulando pelo Raso da Catarina, fugindo da polícia, Lampião refugiou-se na Grota do Angico, perto da cidade de Poço Redondo. Ali, no meio da caatinga fechada, entre grandes rochas e cactos, o governador do sertão - como gostava de ser chamado - viveu as últimas horas dos seus 40 anos de vida. Na tentativa de intimidar outros bandos e humilhar o rei do cangaço, Lampião, Maria Bonita e os outros nove integrantes do grupo mortos naquela madrugada foram decapitados e tiveram as cabeças expostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas, em Alagoas. Os que conseguiram escapar se renderam mais tarde ou se juntaram a Corisco, o Diabo Loiro, numa tentativa insana de vingança que durou mais dois anos, até a morte deste em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Estava decretado o fim do cangaço. 
Não são poucas as lendas que nasceram com a morte de Lampião. Uma fala de um tesouro que ele teria deixado enterrado no meio do sertão. Outra conta que Lampião não morreu e vive, com mais de 100 anos, no interior de Pernambuco. Mas a verdade é que, mesmo 65 anos depois da sua morte, Virgolino Ferreira da Silva, aquele menino do sertão nordestino que se transformou no temido Lampião, ainda não foi esquecido. E sua extraordinária história leva a crer que nunca o será.
*Matéria publicada na edição #135 da revista Os Caminhos da Terra.
Na sua forma mais conhecida, o Cangaço surgiu no Século XIX, e terminou em 1940. Segundo alguns relatos e documentos, houve duas formas de Cangaço:
A mais antiga refere-se a grupos de homens armados que eram sustentados por seus chefes, na sua maioria donos de terras ou políticos, como um grupo de defesa. Não eram bandos errantes, pois moravam nas propriedades onde trabalhavam subordinados aos chefes.
A outra refere-se a grupos de homens armados, liderados por um chefe. Mantinham-se errantes, em bandos, sem endereço fixo, vivendo de assaltos, saques, e não se ligando permanentemente a nenhum chefe político ou de família. Estes bandos independentes viviam em luta constante com a polícia, até serem presos e mortos.
Esta é a forma do Cangaço mais conhecida e da qual trata esta exposição, através de imagens que contam, principalmente, histórias do bando de Lampião.
São protagonistas desse tipo de Cangaço:
• Cangaceiro - Normalmente agrupados em bandos procuravam manter boas relações com chefes políticos e fazendeiros. Nestas relações eram frequentes a troca de favores e proteção em busca da sobrevivência do grupo.
• Coronel - chefe político local; dono de grandes extensões de terra; autoridade político- econômica; tinha poder de vida e morte sobre a sociedade local; suas relações com os cangaceiros eram circunstanciais; seu apoio dependia do interesse do momento.
• Coiteiro - além dos coronéis, compunha o cenário do cangaço o coiteiro, indivíduo que fornecia proteção aos cangaceiros. Arrumava alimentos, fornecia abrigo e informações. O nome coiteiro vem de coito, que significa abrigo. Quanto menor o poder político e financeiro do coiteiro, mais ele era perseguido pelas forças policiais, pois era uma valiosa fonte que poderia revelar o paradeiro de grupos de cangaceiros. Existiram coiteiros influentes: religiosos, políticos e até interventores.
• Volantes - forças policiais oficiais, embora houvesse também civis que eram contratados pelo governo para perseguir os cangaceiros.
• Cachimbos - perseguiam cangaceiros por vingança e não tinham vínculo com o governo.
• Almocreves - transportavam bagagens, bens materiais.

• Tangerinos - tocavam boiada à pé.

• Vaqueiro - condutor de gado, usava roupa toda feita de couro para proteger-se da vegetação típica da caatinga (espinhos, galhos secos e pontudos).



Patativa do Assaré





Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. É o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Foi casado com D. Belinha, de cujo consórcio nasceram nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956,  Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Está sendo estudado na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel. Patativa do Assaré era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', declamava.
   Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos trocou uma ovelha do pai por uma viola. Dez anos depois, viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade.
   Filho de pequenos proprietários rurais, Patativa, nascido Antônio Gonçalves da Silva em Assaré, a 490 quilômetros de Fortaleza, inspirou músicos da velha e da nova geração e rendeu livros, biografias, estudos em universidades estrangeiras e peças de teatro. Também pudera. Ninguém soube tão bem 
cantar em verso e prosa os contrastes do sertão nordestino e a beleza de sua natureza. Talvez por isso, Patativa ainda influencie a arte feita hoje. O grupo pernambucano da nova geração 'Cordel do Fogo Encantado' bebe na fonte do poeta para compor suas letras. Luiz Gonzaga gravou muitas músicas dele, entre elas a que lançou Patativa comercialmente, 'A triste partida'. Há até quem compare as rimas e maneira de descrever as diferenças sociais do Brasil com as músicas do rapper carioca Gabriel Pensador. No teatro, sua vida foi tema da peça infantil 'Patativa do Assaré - o cearense do século', de Gilmar de Carvalho, e seu poema 'Meu querido jumento', do espetáculo de mesmo nome de Amir Haddad. Sobre sua vida, a obra mais recente é 'Poeta do Povo - Vida e obra de Patativa do Assaré' (Ed. CPC-Umes/2000), assinada pelo jornalista e pesquisador Assis Angelo, que reúne, além de obras inéditas, um ensaio fotográfico e um CD.
  Como todo bom sertanejo, Patativa começou a trabalhar duro na enxada ainda menino, mesmo tendo perdido um olho aos 4 anos. No livro 'Cante lá que eu canto cá', o poeta dizia que no sertão enfrentava a fome, a dor e a miséria, e que para 'ser poeta de vera é preciso ter sofrimento'.
  Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Não teve estudo, mas discutia com maestria a arte de versejar. Desde os 91 anos de idade com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa dizia que não escrevia mais porque, ao longo de sua vida, 'já disse tudo que tinha de dizer'. Patativa morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome 



Livros

· Inspiração Nordestina - 1956
· Inspiração Nordestina: Cantos do Patativa -1967
· Cante Lá que Eu Canto Cá - 1978
· Ispinho e Fulô - 1988
· Balceiro. Patativa e Outros Poetas de Assaré - 1991
· Cordéis - 1993
· Aqui Tem Coisa - 1994
· Biblioteca de Cordel: Patativa do Assaré - 2000
· Balceiro 2. Patativa e Outros Poetas de Assaré - 2001
· Ao pé da mesa – 2001

Poemas mais conhecidos  clique aqui

· A Triste Partida
· Cante Lá que eu Canto Cá
· Coisas do Rio de Janeiro
· Meu Protesto
· Mote/Glosas
· Peixe
· O Poeta da Roça
· Apelo dum Agricultor
· Se Existe Inferno
· Vaca estrela e Boi Fubá
· Você e Lembra?
· Vou Vorá 


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Padre Cícero Romão Batista


O Cearense do Século


Padre Cícero Romão Batista nasceu em Crato (Ceará) no dia 24 de março de 1844. Era filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, conhecida como dona Quinô.
Aos seis anos de idade, começou a estudar com o Prof. Rufino de Alcântara Montezuma.
Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade, feito aos 12 anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales.
Em 1860, foi matriculado no Colégio do renomado Padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras - Paraíba. Aí pouco demorou, pois, a inesperada morte de seu pai, vítima de cólera-morbo, em 1862, o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto da mãe e das irmãs solteiras.
A morte do pai, que era pequeno comerciante no Crato, trouxe sérios aperreios financeiros à família, de tal sorte que, mais tarde, em 1865, quando Cícero Romão Batista precisou ingressar no Seminário de Fortaleza, só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma, o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno.
ORDENAÇÃO
Padre Cícero foi ordenado no dia 30 de novembro de 1870. Após sua ordenação retomou ao Crato, e enquanto o bispo não lhe dava paróquia para administrar, ficou do Latim no Colégio Padre Ibiapina, fundado e dirigido pelo Prof. José Joaquim Teles Marrocos, seu primo e grande amigo.
CHEGADA A JUAZEIRO
No Natal de 1871, convidado pelo Prof. Semeão Correia de Macêdo, Padre Cícero visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro (então pertencente a Crato), e aí celebrou a tradicional missa do galo.
O padre visitante, de 28 anos de idade, estatura baixa. pele branca, cabelos louros, olhos azuis penetrantes e voz modulada impressionou os habitantes do lugar. E a recíproca foi verdadeira. Por isso, decorridos alguns meses, exatamente no dia 11 de abril de 1872, lá estava, de volta, com bagagem e família, para fixar residência definitiva no Juazeiro.
Muitos livros afirmam que Padre Cícero resolveu fixar morada em Juazeiro devido a um sonho (ou visão) que teve, segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia exaustivo, após ter passado horas a fio a confessar as pessoas do arraial, ele procurou descansar no quarto contíguo à sala de aulas da escolinha, onde improvisaram seu alojamento, quando caiu no sono e a visão que mudaria seu destino se revelou. Ele viu, conforme relatou aos amigos íntimos, Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembra a última Ceia, de Leonardo da Vinci. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Ele apontou para os pobres e, voltando-se inesperadamente ordenou: E você, Padre Cícero, tome conta deles!
APOSTOLADO
Uma vez instalado, formado por um pequeno aglomerado de casas de taipa e uma capelinha erigida pelo primeiro capelão Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, em honra a Nª Sª das Dores, Padroeira do lugar, ele tratou inicialmente de melhorar o aspecto da capelinha, adquirindo várias imagens com as esmolas dadas pelos fiéis.
Depois, tocado pelo ardente desejo de conquistar o povo que lhe fora confiado por Deus, desenvolveu intenso trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares, como nunca se tinha visto na região. Dessa maneira, rapidamente ganhou a simpatia dos habitantes, passando a exercer grande liderança na comunidade.
Paralelamente, agindo com muita austeridade, cuidou de moralizar os costumes da população, acabando pessoalmente com os excessos de bebedeira e a prostituição.
Restaurada a harmonia, o povoado experimentou, então, os passos de crescimento, atraindo gente da vizinhança curiosa por conhecer o novo capelão.
Para auxiliá-lo no trabalho pastoral, Padre Cícero resolveu, a exemplo do que fizeraPadre Ibiapina, famoso missionário nordestino, falecido em 1883, recrutar mulheres solteiras e viúvas para a organização de uma irmandade leiga, formada por beatas, sob sua inteira autoridade.
MILAGRE
Um fato fora do comum, acontecido em 10 de março de 1889, transformou a rotina do lugarejo e a vida de Padre Cícero para sempre.
Naquela data, ao participar de uma comunhão geral, oficiada por ele, na capela de Nossa Senhora das Dores, a beata Maria de Araújo ao receber a hóstia consagrada, não pôde degluti-la pois a mesma transformara-se em sangue.
O fato repetiu-se outras vezes, e o povo achou que se tratava de derramamento do sangue de Jesus Cristo e, portanto, um milagre autêntico.
As toalhas com as quais se limpava a boca da beata ficaram manchadas de sangue e passaram a ser alvo da veneração de todos.
REAÇÃO DA IGREJA
De início, Padre Cícero tratou o caso com cautela, guardando sigilo por algum tempo. Os médicos Marcos Madeira e Idelfonso Correia Lima e o farmacêutico Joaquim Secundo Chaves foram convidados para testemunhar as transformações, e depois assinaram atestado afirmando que o fato era inexplicável à luz da ciência. Isto contribuiu para fortalecer no povo, no Padre Cícero e em outros sacerdotes a crença no milagre.
O povoado passou a ser alvo de peregrinação: as pessoas queriam ver a beata e adorar os panos manchados de sangue.
O professor e jornalista José Marrocos, desde o começo um ardoroso defensor do milagre, cuidou de divulgá-lo pela imprensa.
A notícia chegou ao conhecimento do bispo D. Joaquim José Vieira, irritando-o profundamente. Padre Cícero foi chamado ao Palácio Episcopal, em Fortaleza, a fim de prestar esclarecimentos sobre os acontecimentos que todo mundo comentava.
Inicialmente, o bispo ficou admirado com o relato feito por Padre Cícero, porém depois, pressionado por alguns segmentos da Igreja que não aceitavam a idéia de milagre, mandou investigar oficialmente os fatos, nomeando uma Comissão de Inquérito composta por dois sacerdotes de reconhecida competência: Padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Pereira Antero.
Os padres comissários, vieram, assistiram as transformações, examinaram a beata, ouviram testemunhas e depois concluíram que o fato era mesmo divino. O bispo não gostou desse resultado e nomeou outra Comissão, constituída pelos Padres Antônio Alexandrino de Alencar e Manoel Cândido.
A nova Comissão agiu rapidamente. Convocou a beata, deu-lhe a comunhão, e como nada de extraordinário aconteceu, concluiu: não houve milagre!
O povo, José Marrocos, Padre Cícero e todos os outros padres que acreditavam no milagre protestaram.
Com a posição contrária do bispo, criou-se um tumulto, agravado quando o Relatório do Inquérito foi enviado à Santa Sé, em Roma, e esta confirmou a decisão tomada pelo bispo. Todos os padres que acreditavam no milagre foram obrigados a se retratar publicamente, ficando reservada ao Padre Cícero uma punição maior: a suspensão de ordem.
Durante toda sua vida ele tentou revogar essa pena, todavia, foi em vão. Aliás, ele até que conseguiu uma vitória em Roma, quando lá esteve em 1898. Entretanto, o bispo, por intransigência, manteve a posição.
VIDA POLÍTICA
Proibido de celebrar, Padre Cícero ingressou na vida política. Como explicou no seu Testamento, o fez para atender aos insistentes apelos dos amigos e na hora em que os juazeirenses esboçavam o movimento de emancipação política.
Conseguida a independência de Juazeiro, em 22 de julho de 1911, Padre Cícero foi eleito Prefeito do recém-criado município. Além de Prefeito, também ocupou a Vice-Presidência do Ceará. Sobre sua participação na Revolução de 1914 ele afirmou categoricamente que a chefia do movimento coube ao Dr. Floro Bartolomeu da Costa, seu grande amigo. A Revolução de 1914 foi planejada pelo Governo Federal com o objetivo de depor o Presidente do Ceará Cel. Franco Rabelo. Com a vitória da Revolução, Padre Cícero reassumiu o cargo de Prefeito, do qual havia sido retirado pelo governo deposto, e seu prestígio, cresceu. Sua casa, antes visitada apenas por romeiros, passou a ser procurada também por políticos e autoridades diversas.
Era muito grande o volume de correspondências que Padre Cícero recebia e mandava. Não deixava nenhuma carta, mesmo pequenos bilhetes, sem resposta, e de tudo guardava cópia.
Com respeito a Lampião, Padre Cícero o viu apenas um vez, em 1926. Aconselhou-o a deixar o cangaço, e nunca lhe deu a patente de Capitão, como foi dito em alguns livros.
IMPORTÂNCIA
Padre Cícero é o maior benfeitor de Juazeiro e a figura, mais importante de sua história. Foi ele quem trouxe para Juazeiro as Ordens dos Salesianos e dos Capuchinhos; doou os terrenos para construção do primeiro campo de futebol e do aeroporto; construiu as capelas do Socorro, de São Vicente, de São Miguel e a Igreja de Nª Sª das Dores; incentivou a fundação do primeiro jornal local (O Rebate); fundou a Associação dos Empregados do Comércio e o Apostolado da Oração; realizou a primeira exposição da arte juazeirense no Rio de Janeiro; incentivou e dinamizou o artesanato artístico e utilitário, como fonte de renda; incentivou a instalação do ramo de ourivesaria; estimulou a expansão da agricultura, introduzindo o plantio de novas culturas; contribuiu para instalação de muitas escolas, inclusive a famosa Escola Normal Rural e o Orfanato Jesus Maria José; socorreu a população durante as secas e epidemias, prestando-lhe toda assistência e, finalmente, projetou Juazeiro no cenário político nacional, transformando um pequeno lugarejo na maior e mais importante cidade do interior cearense.
Os bens que recebeu por doação, durante sua quase secular existência, foram doados à Igreja, sendo os Salesianos seus maiores herdeiros.
Ao morrer, no dia 20 de julho de 1934, aos 90 anos, seus inimigos gratuitos apregoaram que, morto o ídolo, a cidade que ele fundou e a devoção à sua pessoa acabariam logo. Enganaram-se. A cidade prosperou e a devoção aumentou. Até hoje, todo ano, religiosamente, no Dia de Finados, uma. grande multidão de romeiros, vindos dos mais distantes locais do Nordeste, chega a Juazeiro para uma visita ao seu túmulo, na Capela do Socorro.
Padre Cícero é uma das figuras mais biografadas do mundo. Sobre ele, existem mais de duzentos livros, sem falar nos artigos que são publicados freqüentemente na imprensa. Ultimamente sua vida vem sendo estudada por cientistas sociais do Brasil e do exterior.
Não foi canonizado pela Igreja, porém é tido como santo por sua imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil.
O binômio oração e trabalho era o seu lema. E Juazeiro é o seu grande e incontestável milagre.
O Padre Cícero Romão Batista nasceu na cidade do Crato, região Sul do Estado do Ceará, em 24 de março de 1.844. Filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, carinhosamente chamada Quinô.

Desde cedo o menino Cícero demonstrou interesse pela vida sacerdotal, pois era sempre visto na igreja, ora ajudando o vigário nas suas tarefas, ora lendo histórias dos santos, inspirando-se na vida de São Francisco de Sales decidido a manter-se em permamente castidade, conforme está escrito em seu testamento.

Aos 16 anos de idade matriculou-se no colégio do renomado 
Padre Rolim, em Cajazeiras, Paraíba, em 1.860, onde ficou menos de dois anos, pois, com a morte inesperada do pai, vítima de cólera, em 1.862, teve que interromper os estudos e voltar para casa, a fim de cuidar da família - a mãe e duas irmãs. A crise financeira decorrente da morte do pai, transtornou a todos e só aos 21 anos de idade, com a ajuda do seu padrinho de crisma, Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, Cícero ingressou no Seminário de Fortaleza, em 1.865. Cinco anos depois foi ordenado sacerdote. Em janeiro de 1.871 retornou a Crato, onde ficou aguardando nomeação para prestar serviço em alguma paróquia. Em 24 de dezembro do mesmo ano, atendendo a convite do Professor Semeão Correia de Macêdo, celebrou pela primeira vez no povoado de Juazeiro, onde permaneceu três dias em contato com o povo, tendo decidido poucos meses depois fixar residência ali, na função de capelão. Tão logo chegou tratou de melhorar a capelinha exigida em 1.827 pelo primeiro capelão, Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, adquirindo várias imagens com o fruto das esmolas dos devotos.

Foi o começo de uma obra que, anos depois, perpetuou a memória do padre manso e bondoso, austero quando necessário, piedoso e trabalhador que viria a ser cognominado de PATRIARCA DO NORDESTE.

Naquela época, sob o ponto de vista comercial, o povoado de Juazeiro oferecia pouca coisa aos seus habitantes. Não havia economia de mercado propriamente dita. Imperava a miséria e a marginalidade despontava como conseqüência natural. A esperança de uma mudança nesse quadro era representada pela presença do padre.

Assim, o jovem sacerdote tratou de restabelecer a ordem e os bons costumes do ambiente, conquistando rapidamente a simpatia dos habitantes, tornando-se autêntico líder da comunidade. Juazeiro experimentou, então, os primeiros passos de crescimento, atraindo pessoas da vizinhança, curiosas por conhecer o capelão que tinha vindo do Crato.

De início, o padre Cícero gozava da estima e confiança do novo bispo do Ceará, dom Joaquim José Vieira, bem como do bispo anterior, dom Luís Antônio dos Santos, para quem padre Cícero era um anjo.

Consta que em agosto de 1.884, quando de visita pastoral ao Crato, dom Joaquim fez questão de enaltecer o trabalho do padre Cícero. De passagem pelo povoado de Juazeiro, para consagrar a capela de Nossa Senhora das Dores, iniciada pelo Padre Cícero, em 1.875, ele deixou escrito ali o seguinte: "A capela começada pelo padre Cícero Romão Batista, sacerdote inteligente, modesto e virtuoso, é um monumento que atesta eloqüentemente o poder da fé da Igreja Católica Romana, pois é admirável que um sacerdote pobre tenha podido construir um templo vasto e arquitetônico em tempos anormais quais aqueles que atravessa esta diocese assolada pela seca, fome e peste". Posteriormente acrescentou: " A virtude do padre Cícero enche todo o vale do Cariri".

O bispo, porém, não sustentou essa opinião por muito tempo, porque algo de muito grave aconteceu para martirizar a vida do "sacerdote inteligente, modesto e virtuoso", sendo dom Joaquim a figura central desse martírio.

Tudo começou no dia 6 de março de 1.889.

Ao participar de uma comunhão geral, oficiada pelo padre Cícero, a beata Maria de Araújo não pôde engolir a hóstia consagrada porque esta se transformava numa substância vermelha, hematóide.



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Para Dourado, 100 anos, destaque de Fla, Sport e Vitória, Pelé não foi o melhor.

Contemporâneo de Friedenreich e Leônidas, jogador que 'esnobou' Copa de 1934 afirma que o maior craque de todos foi Valdemar de Brito

 Do GLOBOESPORTE.COM
Rio de Janeiro - RJ 
                                                          Dr. Antonio Dourado.
                                                             Dr. Antonio Dourado


Antônio Dourado em 2010, aos 100 anos de idade, numa entrevista ao Esporte Espetacular, da Rede Globo.
Você seria capaz de não aceitar uma convocação para jogar na Seleção Brasileira de Futebol que se preparava para ir a segunda copa do mundo na Itália, para realizar um sonho de seu pai em vê-lo formado em medicina? Pois bem, isso aconteceu com o pernambucanoAntônio Dourado Cavalcanti, natural do município de Lajedo à 196 km do Recife. Antônio Dourado era meio-campista foi campeão pernambucano de futebol em 1928, jogando peloSport Recife, depois jogou pelo Vitória, Galicia-BA e Flamengo-RJ. Jogou ao lado de Leonidas da Silva, que considerava um grande craque, mas considerava Waldemar de Brito, ex-atacante do São Paulo, Flamengo e Palmeiras e descobridor do rei Pelé, o melhor jogador de sua época. Em 1934, foi campeão brasileiro de seleções jogando pela seleção baiana onde venceu a seleção paulista na final, torneio realizado pela Confederação Brasileira de Desporto, já que ouve um campeonato paralelo organizado pela Federação Brasileira de Futebol onde desta feita a seleção paulista venceu, coisas típicas do bagunçado futebol brasileiro
Depois da excelente performance da seleção baiana, Antônio Dourado foi convocado para a seleção brasileira que em breve iria disputar a segunda copa do mundo, na Itália. Ele disse não, alegando que iria se formar em medicina, pois era vontade de seu pai vê-lo médico. Antônio Dourado além de ter se formado em medicina, foi prefeito do município de Lajedo-PE de 1953 à 1956, e deputado estadual por pernambuco em quatro mandatos.
Antônio Dourado é pai do atual deputado estadual-PE(2010) Antônio João Dourado, e faleceu em 16 de abril de 2010, aos 100 anos de idade.
Por: Jânio Odon de Alencar.
Há seis meses, o pernambucano Antônio Dourado Cavalcanti completou 100 anos de vida, o que, por si só, já é uma grande vitória. Como médico e político, ele é reconhecido como grande benemérito na cidade onde mora, Lajedo, no interior de Pernambuco, a 170 quilômetros de Recife. Mas atuando no meio-campo de times como Flamengo, Sport e Vitória, Dourado, como era conhecido, teve outras conquistas. 
Ele foi um dos primeiros jogadores nordestinos a se destacar em nível nacional. Em 1934, comandou dentro de campo a seleção baiana que se tornou campeã brasileira (o torneio nacional era disputado por combinados de jogadores de cada estado).

Dourado, 100 anos de idade: destaque em três times rubro-negros (Fla, Sport e Vitória) 


Contemporâneo de craques como Leônidas da Silva - que define como "um fenômeno" -, Domingos da Guia ("o maior full-back que vi jogar") e Friendenreich ("era um sonho"), Dourado dá uma resposta supreendente quando lhe perguntam quem foi o maior jogador brasileiro de todos os tempos. 
- Valdemar de Brito. O homem que descobriu o Pelé - diz, enchendo a bola do craque que se destacou por São Paulo, Botafogo, Flamengo e San Lorenzo de Almagro, mas que ficou mais famoso por ter revelado, como treinador do Bauru, um adolescente chamado Edson Arantes do Nascimento. 
O paulistano Valdemar de Brito (1913-1979) marcou 18 gols em 18 jogos pela seleção. Na Copa de 1934, perdeu um pênalti na derrota para a Espanha por 3 a 1 - único jogo disputado pelo Brasil na competição.
Dourado poderia ter jogado aquela Copa, mas, por um dilema familiar, recusou a convocação para um grupo pré-selecionado".

"Morre o homem, nasce o mito


O patriarca da família Dourado, Antônio Dourado Cavalcanti, morreu de causas naturais na madrugada da sexta-feira, do dia 16 de abril.
O corpo do ex-prefeito e primeiro deputado estadual da cidade (quatro mandatos), foi velado na fazenda Eldorado, que pertence à família, onde foram recebidos amigos, parentes e políticos de toda região e do estado, a exemplo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que junto a deputada Federal Ana Arraes, do vice-governador João Lyra Neto e do presidente do Lafepe, Luciano Vasquez chegaram de helicóptero pouco antes da saída do cortejo.
O governador e seus acompanhantes seguiram o trajeto de aproximadamente 2 km do cortejo que levou o corpo até o cemitério Campo da Paz.
Dr. Dourado chegou a Lajedo como médico quando o município ainda pertencia à cidade de Canhotinho.
Em 2009, o seu centenário de vida foi motivo de grandes celebrações e homenagens em sua cidade, a exemplo do Troféu Personalidade do Ano, oferecido pelo Jornal Tribuna do Agreste, tema do desfile das escolas públicas na festa de emancipação do município e a condecoração com a Medalha do Mérito Guararapes, através do governador Eduardo Campos.
Dourado, que completaria 101 anos em setembro, era pai do deputado estadual Marcantônio Dourado e do atual prefeito da cidade, Antônio João Dourado, que também é presidente da Amupe. Ele deixou cinco filhos, 10 netos e 5 bisnetos. O prefeito Antônio João Dourado, decretou três dias de luto no município.
“Fui prefeito 4 anos, Deputado Estadual 16 anos, ao todo 20 anos de carreira política e nenhum inimigo, dei adeus ao povo e fiquei aqui aconselhando a Paz com código de união”. Em entrevista exclusiva ao Jornal Tribuna do Agreste no ano de 2005.
O futebol. A outra paixão Dourada
Há poucos dias, Dr. Dourado havia sido notícia em uma matéria do Globo Esporte, da Rede Globo. O político de Lajedo foi um dos primeiros jogadores de futebol nordestinos a se destacar em nível nacional.
Dourado, como era conhecido na época, atuou no meio-campo de times como Flamengo, Sport e Vitória. Mas foi em 1934, que seu nome se destacou, comandando o meio campo da seleção baiana se tornou campeão brasileiro (o torneio nacional era disputado por combinados de jogadores de cada estado).
Na época, Dourado poderia ter jogado uma Copa do Mundo, mas, por um dilema familiar, recusou a convocação para um grupo pré-selecionado. Mais tarde, ele seguiria a carreira de médico.
Em seu sepultamento, junto a bandeira de Lajedo, a bandeira do Sport Club de Recife cobria seu caixão.
* Foto: Arquivo Vídeo Foto PJ / JTA".

Saiba mais sobre Antonio Dourado.

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VOCÊ SABE O QUE É AUTO-HEMOTERAPIA? NÃO?
VEJA ESTA TÉCNICA QUE ESTÁ SALVANDO MUITAS VIDAS.                  

                                             Dr. Luiz Moura foi o pioneiro no Brasil.
                                                             Dr. Luiz Moura - RJ



O que é auto-hemoterapia:


É uma técnica simples, em que, mediante a retirada de sangue da veia e a aplicação no músculo, ela estimula um aumento dos macrófagos, que são, vamos dizer, a Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) do organismo.

Os macrófagos é que fazem a limpeza de tudo. Eliminam as bactérias, os vírus, as células cancerosas, que se chamam neoplásicas. Fazem uma limpeza total, eliminam inclusive a fibrina, que é o sangue coagulado. Ocorre esse aumento de produção de macrófagos pela medula óssea porque o sangue no músculo funciona como um corpo estranho a ser rejeitado pelo Sistema Retículo Endotelial (SRE). Enquanto houver sangue no músculo o Sistema Retículo Endotelial está sendo ativado. E só termina essa ativação máxima ao fim de cinco dias.   

A taxa normal de macrófagos é de 5% (cinco por cento) no sangue e, com a auto-hemoterapia, nós elevamos esta taxa para 22% (vinte e dois por cento) durante 5 (cinco) dias. Do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) dia, começa a declinar, porque o sangue está terminando no músculo. E quando termina ela volta aos 5% (cinco por cento). Daí a razão da técnica determinar que a auto-hemoterapia deva ser repetida de 7 (sete) em 7 (sete) dias.   

Essa é a razão de como funciona a auto-hemoterapia. É um método de custo baixíssimo, basta uma seringa. Pode ser feito em qualquer lugar porque não depende nem de geladeira - simplesmente porque o sangue é tirado no momento em que é aplicado no paciente, não há trabalho nenhum com esse sangue. Não há nenhuma técnica aplicada nesse sangue, apenas uma pessoa que saiba puncionar uma veia e saiba dar uma injeção no músculo, com higiene e uma seringa, para fazer a retirada do sangue e aplicação no músculo, mais nada. E resulta num estímulo imunológico poderosíssimo.    


DOSAGEM: Dependendo do caso, se não for grave, a dosagem pode ser de 5 ml, dividindo 2,5 ml em cada deltóide (músculo do braço) ou em cada glúteo. Esta dosagem é para crianças. Normalmente, para adultos, a dosagem ideal é de 10 ml, dividido em 2 partes (5 ml em cada braço ou 10 ml no glúteo). Em casos gravíssimos, Dr. Moura recomenda 20 ml.

O método foi aplicado com bons resultados por Dr. Luiz Moura, desde o tempo em que era estudante de medicina, em 1943, na Faculdade Nacional de Medicina, situada na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Seu pai, cirurgião geral, foi professor daquela faculdade e aplicava a auto-hemoterapia nas pessoas que operava. Dr. Moura afirma que nunca houve problema nenhum e que seu pai teve com o procedimento uma das taxas menores de infecção hospitalar já vista até hoje. Para tanto baseavam-se no trabalho do professor Jesse Teixeira - que foi feito especificamente para evitar infecções pós-operatórias e que obteve um sucesso enorme.


Dr. Moura afirma que foi o professor Jésse Teixeira que provou que o (Sistema Retículo-Endotelial) S.R.E. era ativado pela auto-hemoterapia, em seu trabalho “Complicações Pulmonares Pós-Operatórias - Autohemotransfusão” (http://www.rnsites.com.br/artigo_jesse_teixeira.pdf ) publicado e premiado em 1940 na Revista Brasil – Cirúrgico, no mês de Março. Jésse Teixeira provocou a formação de uma bolha na coxa de pacientes, com cantárida, substância irritante. Fez a contagem dos macrófagos antes da auto-hemoterapia, a cifra foi de 5%. Após a auto-hemoterapia a cifra subiu a partir da 1ª hora, chegando após 8 horas a 22%. Manteve-se em 22% durante 5 dias, e finalmente declinou para 5% no 7º dia após a aplicação.



Por sua vez, Ricardo Veronesi, em 1976 apresentou trabalho “Imunoterapia: O impacto médico do século” (http://www.rnsites.com.br/artigo_ricardo_veronese.pdf ) explicando as ações do estímulo do S.R.E comprovado por Jésse Teixeira.





Desde os anos setenta Dr. Luiz Moura voltou a utilizar a auto-hemoterapia e muitos outros estudos surgiram a respeito do assunto, conforme observam alguns pesquisadores. Atualmente, temos conhecimento de uso da técnica em muitos países, além do Brasil, principalmente na França, Alemanha, Portugal, México, Rússia, Argentina, Estados Unidos, Bélgica, Itália, Suíça, Angola, Cabo Verde, Austrália, Bulgária, Japão e Reino Unido.


BREVE HISTÓRIA DA AUTO-HEMOTERAPIA


 A auto-hemoterapia foi definida como método terapêutico em 1912, pelo médico francês Paul Revaut, consistindo em injectar debaixo da pele dum doente alguns centímetros cúbicos do seu próprio sangue. Revaut descreveu a auto-hemoterapia, sua técnica e indicações pela primeira vez num importante artigo publicado em 1913. Segundo Dr. Luiz Moura (Auto-hemoterapia - http://www.rnsites.com.br/aht_luiz_moura.pdf ), em 1911, Ravaut registrou o modo de tratamento empregado em diversas enfermidades infecciosas, em particular na febre tifóide e em diversas dermatoses. Ravaut usou a auto-hemoterapia em casos de asma, urticária e estados anafiláticos, conforme Dicionário Enciclopédico de Medicina, T.1, de L. Braier, também citado por Dr. Luiz Moura.



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